Meu último relacionamento durou bem pouco tempo. Conheci ela no corredor do ônibus, quando o semáforo ficou vermelho. A minha janela deu certinho para a dela. Ela vestia uma camiseta preta do Axl Rose e um chapéu de jazzista, nada de maquiagem. Eu tinha a cara enfiada num romance policial. Eu olhei, ela me viu. Eu desviei, antes da garota se dissuadir também. Voltamos a nos analisar. E sorrimos, inevitavelmente. Ela fez um biquinho doce e teatral com os lábios, sinalizando a vontade de um beijo inocente. Num raro lampejo de maturidade, botei a língua pra fora, girando a pontinha rugosa e pigmentada num movimento pseudo-sexy. Ela riu, baixou levemente o cenho, me achando pateta. Eu me estufei de orgulho por alargar aquele riso. O semáforo abriu e a gente parou de se ver. Ainda entornei o dorso para uma última olhada por cima do ombro. Não ia dar certo mesmo. Estávamos em lugares diferentes da relação, vivendo em direções opostas, a coisa andava rápida demais entre nós, e acho que as amigas dela não gostavam de mim. Mas foi bom e inesquecível, enquanto duraram os trinta segundos

Gabito Nunes.    (via apagou)
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Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão, um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção. E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão, uma estrela de brilho raro, um disparo para um coração. A vida imita o vídeo, garotos inventam um novo inglês. Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez. Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter… Um dia me disseram quem eram os donos da situação, sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão. E tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum, como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum. (…) Quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também. Quem duvida da vida tem culpa, quem evita a dúvida também tem… Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter.

Engenheiros do Hawaii.   (via cissuras)
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Amar é mandar, achar que manda, obedecer, fingir que obedece. Amar é perguntar “tá dormindo?”, é descer do ônibus com o outro à espera, é cantar “she loves you yeah yeah yeah”, é morder queixo, orelha, cotovelo, panturrilha, lábio. Amar é comer uma coisa diferente e lembrar o outro, é ficar de mal, é arrumar tempo pra pensar no outro na correria do dia.

Gabito Nunes. (via sem-romeu)
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Eu tenho apenas 18 anos e parece que já vivi mais de 1 século. Coisas que eu fazia na minha criancice hoje em dia não se vê mais. Eu gostava de brincar na rua até machucar, e mesmo depois de machucar continuar a brincar. Era algo bom, não me sentia solitário e sempre, sempre tinha algo para fazer. Correr era uma emoção única, era como voar. Imaginar era a coisa mais perfeita do mundo, só precisava de uma caixa de papel e alguns brinquedos, mesmo que velhos, para inventar uma história e se divertir o dia inteiro. Hoje não, se passaram apenas 5 anos desde que eu brincava de bola na rua com muita gente (e hoje ainda com 18 anos eu brinco de bola na rua), e muita coisa mudou. Com 13 anos eu brincava de pique esconde, hoje com 13 anos postam fotos no instagram mostrando metade dos peitos, ou quase todo. Com 13 anos eu sentava na frente da tv a espera de começar o meu desenho favorito, hoje já querem assistir um romance e no final do filme dizer que quer encontrar o amor da sua vida, isso com 13 anos de idade. Com 14 anos eu nem sabia o que era gostar de alguém, eu apenas sabia que eu era homem e que queria uma menina para chamar de amor, mesmo que não encostasse nela. Hoje com 14 anos meninas ficam gravidas, meninos perdem a virgindade, se comem no meio da rua, e dizem que amam sem ao menos saber que porra é esse sentimento. Como uma criança de apenas 14 anos já sabe o que é o amor, já sabe o que quer da vida, já sabe que o menino vagabundo da sua rua é o homem que ela quer para vida toda, como? Vá brincar de boneca ou jogar bola, faz bem; Com 15 anos eu comecei a conversar com as pessoas, comecei a me interagir melhor, sair para festas, ter uma relação de mais proximidade, comecei a sentir o que é gostar de alguém. Hoje com 15 anos já tem pessoas assinando sua certidão de casamento, ou indo para o hospital para ter o seu terceiro filho. Será que sou eu o errado ou as pessoas simplesmente avançaram demais as etapas da vida? Não sei a resposta, só sei que muita coisa mudou. Hoje com 15 anos já viveram tudo, tudo que eu ainda não vivi aos 18. Eu estou ficando velho sem sequer perceber. Qualquer dia desse uma criança de 7 anos vai vim para me contar suas histórias de vida, e com certeza, serão histórias que nem eu ainda vivi. Eu nasci no século errado, eu nasci no mundo errado, ou eu sou o errado e todos estão certos. Eu não sei, mas eu queria ter 10 anos, onde se preocupava apenas com brincar, comer e dormir, não quantas curtidas vou receber na minha foto que acabei de tirar.

O menino Charlie. (via florencces)
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Estava numa maré de paz. Não queria brigas, discussões, não estava ligando para olhares atravessados e nem palavras azedas. Estava na minha, estava em minha própria companhia e mesmo que tivesse 100 pessoas a minha volta, eu não enxergaria ninguém.

Arctic Ocean. (via supostos)
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